segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A dor e o prazer de amar e ser amado

Eu particularmente relutei muito em ir assistir a saga de " Twilight", acreditava ser mais um filme sobre adolescentes apaixonados ,sendo a única diferença, uma paixão entre uma ser humana e um vampiro. Realmente quando assisti os dois primeiros " Crepúsculo" e " Lua Nova" constatei que não havia muita coisa nova com relação a história. Contudo nesse novo filme ,em cartaz " Eclipse", fui surpreendida por uma sensação gostosa no qual recorda muito a adolescencia de cada um. De quando nós encontramos enamorados pela primeira vez , como se não existisse mais nada no mundo além da intensidade da paixão, mas claro com um conflito, pois nada é fácil nessa vida.

" Eclipse" traz as juras de amor entre o casal principal Bella ( Kristen Stewart) e Edward ( Robert Pattinson), mas com a ameaça de Jacob ( Taylor Lautner) que coloca em dúvida o amor dos dois. A cena na qual, ela se esconde dos vampiros que estão indo atrás dela no alto da montanha mas devido ao frio intenso que a coloca em risco,  Jacob é a única pessoa que pode ajudá-la com o calor humano, é maravilhosa, tanto para mostrar a quimíca do ser humano , quanto em relação ao quente (humano)e fria ( vampiro). Jacob com seu corpo sarado e a maior parte do tempo sem camisa, arranca suspiros da pláteia, e do outro lado, um rapaz muito branco, mas com todo charme de um lorde e com ídeias um tanto quanto ultrapassadas, mas que não deixa de ser bonitas e até ansiadas pelo público feminino.


Além desse suposto triângulo amoroso que se forma, o filme também mostra como é a transformação dos vampiros récem-criados e as situações com as quais eles têm que viver no ínicio dessa jornada, claro uma "deixa "para se pensar na situação de Bella, que tanto anseia em se tornar vampira.

Acredito que essa adaptação do livro seja uma das mais interessantes das duas últimas, o diretor David Slade soube retratar de uma maneira peculiar a diferença de um cavalheiro e uma mulher moderna sem deixar cair no rídiculo. Pois Edward devido a sua situação de vampiro ,no qual não lhe permite envelhecer ,mas que ao mesmo tempo carrega sua identidade de antigamente e acha que sexo só depois do casamento, e Bella, desacreditada na instituição casamento.

Com certeza vale a pena a ida ao cinema, para sair da sala com a sensação de que a adolescência é época de errar, como é lembrado na formatura.Mas até que ponto um erro é válido para definir sua vida para sempre?

Ficha Técnica:
The Twilight Saga: Eclipse ( EUA- 2010)
Diretor: David Slade
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner
Roteiro: Melissa Rosenberg
Gênero: Romance
Filme : bom

O coração tem razões que a própria razão desconhece!

Woody Allen após seus quatro últimos filmes terem sido produzidos na Europa volta com toda força para sua cidade, Nova York,um retorno renovado, com direito a ônibus turistíco e Estátua da Liberdade. Na direção de " Tudo pode dar certo- Whatever Works", seu quadrágesimo filme, Allen  traz seu humor sarcástico mais afiado que nunca, cheio de um diálogo ácido,muitos clichês ( e ele próprio faz piadas disso), discussões existenciais, improváveis casais e trios que só sendo um puritano para não amar.

O começo do filme já é um tanto quanto peculiar pois traz a figura de Boris Yellnikoff ( Larry Davis) conversando com seus amigos do bar e logo ele segue adiante e quebra a quarta parede para conversar com o público. Boris é um mau-humorado físico, quase indicado ao prêmio Nobel, que atualmente dá aulas de xadrez mas costuma brigar com seus alunos. Suicida fracassado,não odeia a vida, apenas acredita que somos uma espécie em extinção burra demais para ser feliz, pois considera ser único capaz de compreender a insignificância das aspirações humanas e o caos do universo.

Seu chamado para aventura começa quando uma garota em frente ao seu apartamento pede por comida, e ele a muito custo acaba por convida-lá a entrar, Melodie St. Anne Celestine ( Evan Rachel Wood) é uma menina do sul dos EUA, completamente frágil e inocente que se instala em seu apartamento e com o passar do tempo não aparenta ter planos de deixar o local. Os dois começam a criar uma amizade, tendo Boris para lembra-lá sempre que ele é um gênio e ela simplesmente uma ignorante. O laço afetivo se torna tão grande que ela se declara para ele, e este apenas diz que não, pois nem de sexo gosta. Claro que por algumas circunstâncias irracionais do coração, Boris acaba pedindo Melodie em casamento. Tudo parece estar indo de acordo com as leis do universo quando inesperadamente aparecem separadamente a mãe e o pai de Melodie.

Isso coloca em movimento uma ciranda de personagens que descobrem, por si próprios, que na vida devemos aceitar qualquer coisa que dê certo para nos fazer felizes.Boris (o racional) e Melodie ( emocional) aceitam um ao outro, os pais dela acabam por ser transformados por Nova York e abertos para novas experiências.
 
Para finalizar fica o épilogo do filme:
" Whatever love you can get and give
Whatever happiness you can provide
Every temporary measure of grace
Whatever works"


Ficha Técnica:
Tudo pode dar certo " Whatever works" ( 2009- França- EUA)
Direção: Woody Allen
Elenco: Larry Davis, Eva Rachel Wood, Patricia Clarkson,
Roteiro: Woody Allen
Filme: ótimo

Tensão e suspense a todo momento

Qual seria a  reação de cada ser humano ao se ver numa praia e de repente alguém ser atacado por um tubarão? Bom essa é a premissa que o diretor Steven Spielberg traz as telas no filme " Tubarão", clássico de 1975, que é recheado de muito suspense, ação e efeitos especiais.


A pacata comunidade da ilha de Amity nos  EUA, que vive praticamente do turismo de verão, vê o sossego ir embora quando ataques de um tubarão branco começam a se tornar corriqueiro. O xerife local, Martin Brody ( Roy Scheider), insiste com as autoridades locais para o fechamento da praia, mas devido a interesses econômicos a praia continua aberta . Com a regularidade dos ataques, o xerife pede ajuda a um biológo ( Richard Dreyfuss) e a um pescador local Quint ( Robert Shaw). Juntos o trio embarca numa aventura com a esperança de conseguir capturar ou matar o animal.

Steven Spielbert  sabe trabalhar com as imagens muito bem, tanto que no começo os ataques do tubarão se limitam ao subjetivo, não o vemos em si. Tudo é construído através da linguagem cinematógrafica, onde a sobreposição dos planos cria o sentido que a cena deseja alcançar. Esse tipo de construção ajuda a manter a tensão, criar expectativa com relação a aparição do tubarão, mas sem se tornar chato ou repetitivo.

De nada adiantaria todo os suspense gerado em torno da aparição do animal se ele decepcionasse quando surgisse. Para a alegria do público, quando o faz, realmente assusta. Seja pelo tamanho impressionante, ou pela destruição que causa. O mais importante é que durante o filme, o tubarão nunca deixa de convencer. Ele faz coisas impossíveis na realidade, mas num filme que adota claramente a ficção de fatos e características para contar uma história , isso se torna viável.

Spielbert utiliza da cor amarelo para destacar algumas cenas, como por exemplo , em uma das cenas antes do ataque na praia, ele utiliza  a cor amarelo no chapéu de uma mãe. Assim como quando o tubarão está atacando o barco de aventureiros e sua presença é marcado pelos barris de cor amarelo.

O clima de suspense traz muita tensão ao espectador junto com a trilha sonora tão bem construída pelo compositor John Willians, no qual compôs o acorde com apenas duas notas. Deu vida ao ser "invisivél" às lentes , pelo menos  durante boa parte do filme.Não vemos o tubarão, mas temos a junção imagem , mais trilha sonora, que caracteriza a sua presença.

"Tubarão" lançou a moda dos "blockbuster" americano arrecadando milhões de doláres e muitas condenações, porém não se pode questionar o magnifíco trabalho de Steven Spielberg ,que com um boneco mecânico, trilha sonora esplêndida , ótima atuação dos personagens e uma edição impécavel, criou um clássico do cinema, mesmo ápos as três continuações  deploráveis que o longa recebeu.



Tubarão - Jaws ( 1975- EUA)
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Roy Scheider, Robert Shaw, Richard Dreyfuss
Roteiro: Peter Benchley, Carl Gotilieb
Gênero: Suspense
Filme: ótimo

Tudo pode acontecer em ChinaTown

ChinaTown um clássico do film-noir do diretor Roman Polanski traz em vez do preto e branco caracteristíca marcante do noir, a fotografia em tons alaranjados que não deixa de esconder a visão cinzenta de mundo do diretor, que traça elementos de pessimismo o tempo todo no filme.


J.J. Gittes ( Jack Nicholson) é um típico detetive particular que se vê contratado por uma bela socialite (Faye Dunaway) para descobrir se seu marido está cometendo adúlterio, contudo esse trabalho que seria como muitos outros já realizados por ele, desencadeia em outras situações, que de um simples adúlterio vai para caso de corrupção, assassinato, mentiras, escândalos políticos e pessoais, que se chocam em uma única noite no bairro de ChinaTown.


O narrador de Chinatown se encontra ao lado do detetive Gittes e junto com ele o expectador vai descobrindo as imensas falcatruas de vários homens poderosos de Los Angeles nos anos de 1930. Na trama o detetive sempre encontra uma piada para expor o seu lado um tanto quanto malandro, que não deixa de contrastar com a maldade assumida pelos outros personagens.


O filme foi uma homenagem do diretor Roman Polanski ao film noir e seu último rodado nos EUA.O clima de pessimismo e fatalismo do noir para alguns estudiosos seria uma manifestação desse esquema metáforico de representação do crime como espaço simbólico para a problematização do pós-guerra. Em que o detetive particular sempre se encontra na sua solidão e se vê totalmente seduzido pela femme fatale.


Uma ótima interpretação do ator Jack Nicholson, que mostra de uma maneira  peculiar um detetive que algumas vezes se comporta como dono da situação e outras acreditando nas pessoas ao seu redor. A cena  àpos o corte do nariz é sensacional, pois a câmera vem de fundo sem mostrar o rosto de Jack Nicholson até que foca o curativo, sendo a imagem desse ferimento muito reconhecida no cinema.


A composição musical de Jerry Goldsmith, incrivelmente composta em dez dias, não deixa de tirar o folêgo do expectador. Resumindo, um filme com uma profundidade sem tamanho e com uma visão bem decadente de Los Angeles.

Ficha Técnica:
ChinaTown
Direção: Roman Polanski
Elenco: Jack Nicholson, Faye Dunaway
Roteiro:Robert Towne
Gênero: Suspense
Filme: ótimo

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O amor é cego e mudo...

Com o advento do cinema falado em 1928 muitos foram os diretores que resistiram a essa tecnologia, entre eles se encontrava um dos grandes mestres do cinema, Charles Chaplin, no qual através da figura do inconfudivel  vagabundo Carlitos, optou por não ulitizar das falas para expressar ao público suas emoções. Chaplin sabia que o personagem criado e importado para todo mundo como sua marca registrada, era necessariamente uma cria do cinema mudo.

Esse  certamente é um dos méritos de " Luzes da Cidade" realizado em 1931, no qual os efeitos sonoros já estavam a toda polpa mas ,Chaplin busca mostrar ao telespectador uma hisotória de amor em que a sonoridade é apenas algo superfluo, seja num apito como na campainha de um ringue.


" Luzes da Cidade" exala inocência e ternura em cada centrimétro de celulóide. Carlitos em suas andanças  se apaixona por uma vendedora de flores cega que o confunde com um homem rico. Com a permissão de visita, ele começa a cortejar a moça ao ponto de arrumar um trabalho para poder ajudá-la financeiramente.


Na iminência da paixão ,Carlitos ajuda um suícida milionário a tentar valorizar a vida e  se tornam amigos, porém essa amizade não deixa de ser cômica, pelo fato do ricaço apenas conhecer o vagabundo nos momentos de alcoolismo, pois quando a sobriedade vem a tona, ele perpassa total desconhecimento a Carlitos.


A cena do ringue em que Carlitos através da luta de boxe busca arrecadar dinheiro para a operação dos olhos de sua amada é uma das mais belas e sincronizadas. A maneira como ele faz passos sincronizados com o juízo ou o seu adversário não deixa de parecer um balé, ao mesmo tempo em que o riso não consegue deixar a face do telespectador. Nessa mesma cena, Chaplin utliza da sonoridade, na campainha do ringue,em que fica preso e o som não para de tocar incessantemente.Outra cena de efeito sonoro é quando o amigo milionário  lhe faz uma festa, Carlitos engole o apito, e atrapalha a performace do cantor. Talvez seja Chaplin negando a sonoridade, mostrando que sua função no cinema não é necessária.


Nesse filme pode-se ver como o gênio Charles Chaplin sabe utilizar das imagens perfeitamente, pois de um conto de amor bastante simples ele consegue tocar seu público sem cair na mesmice de um melodrama e não obstante, também possuir fortes traços de genialidade cômica que marcara todas as produções de Carlitos, acrescentando momentos verdadeiramente hilários em meio a trama doce.

Nota-se que Chaplin utiliza o símbolo da flor para expressar o amor de Carlitos pela florista ,e que através disso, é construído a cena final do filme no qual,  com certeza uma das mais bonitas já feita numa comédia romântica.

Ficha Técnica:
Luzes da Cidade ( City Light)
Direção: Charles Chaplin ( 1931- EUA)
Elenco: Charles Chaplin, Virgina Cherril
Gênero: Comédia, Romance
Roteiro: Charles Chaplin
Cinema: ótimo
The End