domingo, 16 de janeiro de 2011

Ser perfeita!!


Em qualquer tipo de profissão, pessoas sempre buscam a perfeição, treinar, treinar, para chegar ao perfeito. No caso de Nina ( Natalie Portman) uma balairina da companhia de balé de NY, tudo o que ela busca é a perfeição da técnica . O filme " Cisne Negro"  de Darren Aronofsk mostra a jovem Nina selecionada para ser a nova "Queen Swan", substituindo sua antecesora Beth (Winona Ryder) que ápos se retirar acaba se envolvendo num acidente.

Nina com sua total delicadeza e ingenuidade sabe apresentar o Cisne Branco maravilhosamente, porém quando o assunto é o Cisne Negro ela não consegue se entregar cem porcento, falta sensualidade aos seus movimentos. Em busca de melhorar sua performace no Cisne Negro , Nina começa a ter problemas psicologicos. Vê em sua companheira de trabalho Lilly ( Mila Kunis) uma ameaça constante, muda suas atitudes com sua mãe que não deixa de ser um tanto quanto dominadora, e no decorrer do filme começa a ter alusinações sobre si mesma. A jovem bailarina não sabe mais se sua rival realmente existe; se é uma aparição sobrenatural ou invenção de sua imaginação.

A competição que as duas vão se envolvendo, faz com que Nina mostre outros lados de suas personalidade até então desconhecidos para ela, e a resvalar um lado um meio louco, por lado impulsionado pelo diretor artístico (Vincent Cassel), e o outro por ter de saber lidar com o lado provocador e desenvolto de Lilly.

Com um ótimo trillher psicologico o diretor soube trabalhar de uma maneira peculiar os jogos de espelho, que demonstra as transformações de identidade que a personagem Nina vai sofrendo.

Uma composição musical maravilhosa, que acompanha as diferentes fases do filme. Com lindas demonstrações de balé que não se tornam cansativas, pelo contrário.

A principal mensagem deste filme de Aronofsky é a capacidade humana de se chegar a limites quando se quer alcançar muito um objectivo. O clímax, que marca também o final do filme, vem no tempo certo e choca.
Ficha Técnica:
Cisne Negro - Black Swan
Diretor: Darren Aronofsk
Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Winona Ryder
Roteiro: John McLaughlin
Gênero: drama
Lançamento: 2011- USA
ótimo


The best of 2010 !!!!

- Amor sem escalas ( Jason Reitman)
-Educação ( Lone Scherfig)
-O segredo dos seus olhos ( Juan José Campanella)
-A fita branca ( Michael Haneke)
-Tudo pode dar certo ( Woody Allen)
-O escritor fantasma ( Roman Polanski)
-Tropa de Elite-2 ( José Padilha )
-Wall-Street- O dinheiro nunca dorme ( Oliver Stone)
-A origem ( Christopher Nolan)
-Harry Potter- E as reliquias da morte ( David Yates)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Happy end?

O que nos leva a acreditar que toda sensação de alegria, amor, euforia, etc deveria durar para sempre? Somos seres humanos condicionados a viver os dois lados da balança, sentir a felicidade e a tristeza e valorizar cada sentimento, para desfrutar das experiências que a vida guarda para cada um.

Quando assistimos ao final do filme " Casablanca- 1942" sentimos um tanto quanto triste porque o casal formado por Rick ( Humphrey Bogart) e Ilsa ( Ingrid Bergman) preferem apenas o momento que tiveram em Paris do que ficarem juntos, ou seja, o filme reserva um auto-controle romântico ao qual os personagens optam a qualidade à quantidade, deixar um ao outro o melhor, não cair na tentação da comodidade da vida amorosa. É melhor deixá-la em um belo momento culminante do que descer à planície da rotina amorosa, do carinho, ao simples apego.

Por outro lado, o espectador se identifica com o final de " Uma linda mulher- 1990" , em que o personagem Edward ( Richard Gere) sobe as escadas com ramalhetes de rosas para pedir em casamento Vivian ( Julia Roberts). Toda mulher sente-se feliz ao ver esse desfecho, é como se pudesse transferir essa felicidade fictícia para sua vida amorosa.

Mas por qual motivo não sabemos lidar com a perda no sentido de não vivenciarmos o "felizes para sempre"? Porque somos induzidos a acreditar que o para sempre seja melhor do que apenas alguns momentos?

Voltar a ser criança

Confesso hoje ter sido a primeira  vez que assisti " E.T.", claro que já havia visto muitas imagens do filme, mas até então nunca tinha visto por inteiro, posso afirmar como foi maravilhosa a sensação , é como se eu tivesse sido transportada para minha infância, com todas as brincadeiras ingênuas e  amigos invisivéis tivessem me visitado. Eu admiro muito o trabalho de um diretor quando consegue te arremessar para outro mundo, e posso dizer que definitivamente fui lançada para "meu" mundo imaginário de quando era criança.


"E.T." um filme de 1982 do diretor Steven Spielberg mostra que através de uma história infantil se pode construir algo tão belo. Um garoto do sulbúrbio americano Elliot ( Henry Thomas) ,vê seu chamado a aventura quando resolve investigar o barulho de sua garagem, nada mais surpreendente de ver ali um ser de outro planeta, E.T. Elliot com a total falta de preconceito, ingenuidade e carinho leva E.T. para se hospedar em seu quarto. Consequêntemente um laço muito forte de amizade é construída por ambos, ao ponto de sentirem as mesmas coisas. Os irmãos de Elliot, também abraçam a ídeia de um amigo extraterrestre e juntos resolverm ajudá-lo a voltar para seu planeta.


É muito interessante notar certos nuances que o diretor "planta" para o espectador, como a questão do vaso com flores amarelas( Spielberg trabalha muito com as cores principalmente o amarelo) que um determinado momento do filme se transformará em um fator determinante da história. Com relação as cores, na cena da fuga de E.T., Elliot é destaque pela cor de sua camisa, no caso, vermelha.


Spielberg nesse filme com auxílio dos efeitos especiais, construíu um mundo totalmente infantil, em que os adultos têm papel secundário. Isso é notável já no começo da história ,em que os agentes do governo são filmados da cintura para baixo e só no final vê-se o rosto deles.


Definitivamente E.T. é um filme que marcou toda a geração de crianças da década de 80 e até hoje consegue arrancar lágrimas do público, seja pela mensagem de paz, tolêrancia e amizade ou pelo simples fato de mostrar como é encantador voltar a ser criança por duas horas.


Ficha Técnica:
E.T.
Diretor: Steven Spielberg ( 1982-EUA)
Elenco:Henry Thomas, Dree Wallace, Drew Barrymore
Roteiro:Melissa Mathison
Gênero: Aventura
Filme: ótimo

A descontrução de um mundo.

A Guerra Civil Espanhola serve de premissa para muitos filmes, em " A língua das mariposas" esse momento brutal da história espanhola é retratado através dos olhos de uma criança de seis anos Moncho ( Manuel Lozano) e sua relação de amizade e admiração pelo professor  Don Gregorio (Fernando Fernáz Gomez) . A aprendizagem como fonte de prazer , de crescimento e de liberdade como função primeiro da educação são , em síntese, as principais mensagens do filme espanhol.


 Com o desenrolar da história , um outro patamar vai sendo colocado ao expectador, um quadro social e político que define a ascenção do fascismo na Espanha, na qual se aliaram a Igreja Católica, o Exercíto e os grandes donos de terra contra a Frente Popular, formada pelos republicanos, pelos sindicatos, pelos partidos de esquerda e pelos que defendiam a democracia.


O filme mostra uma pacata cidade espanhola antes da ascenção do general Franco e como ela se torna quando este toma o poder. O expectador encara os primeiros dias de aula de Moncho e a importância do professor no processo de desenvolvimento coagnitivo, pessoal, político e social de uma criança. Porém com afirmações como essa " Libertas viroum fortium pectara acuit- a liberdade estímula o espírito dos homens fortes) deixa claro o posicionamento político de Don Gregorio e as consequências que isso vai trazer no decorrer da história.


O diretor José Luis Cuerda soube retratar de uma maneira peculiar o mundo infantil e ingênuo de Moncho e de seu maior admirador Don Gregorio de uma forma cativante, sem deixar de lado as críticas sociais referente a guerra civil espanhola e toda a transformação que o país passou nesse período.


É maravilhosa a cena em que Moncho ao tentar xingar seu professor começa a falar palavras que aprendeu durante as aulas de ciências ao ar livre, no qual perpassa um sentindo ambíguo, ou o garoto diz que não se esquecerá dos ensinamentos ou de que o professor o tenha traído. Um filme bem interessante tanto pelo lado histórico como pela relação de amizade.


Ficha Técnica:
A língua das mariposas - La lengua de las mariposas
Diretor: José Luis Cuerda ( 1999- Espanha)
Elenco: Fernando Fernán Gomez, Manuel Lozano
Roteiro: Rafael Azcona, José Luis Cuerda, Manuel Rivas
Gênero: Drama
Filme: bom

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A dor e o prazer de amar e ser amado

Eu particularmente relutei muito em ir assistir a saga de " Twilight", acreditava ser mais um filme sobre adolescentes apaixonados ,sendo a única diferença, uma paixão entre uma ser humana e um vampiro. Realmente quando assisti os dois primeiros " Crepúsculo" e " Lua Nova" constatei que não havia muita coisa nova com relação a história. Contudo nesse novo filme ,em cartaz " Eclipse", fui surpreendida por uma sensação gostosa no qual recorda muito a adolescencia de cada um. De quando nós encontramos enamorados pela primeira vez , como se não existisse mais nada no mundo além da intensidade da paixão, mas claro com um conflito, pois nada é fácil nessa vida.

" Eclipse" traz as juras de amor entre o casal principal Bella ( Kristen Stewart) e Edward ( Robert Pattinson), mas com a ameaça de Jacob ( Taylor Lautner) que coloca em dúvida o amor dos dois. A cena na qual, ela se esconde dos vampiros que estão indo atrás dela no alto da montanha mas devido ao frio intenso que a coloca em risco,  Jacob é a única pessoa que pode ajudá-la com o calor humano, é maravilhosa, tanto para mostrar a quimíca do ser humano , quanto em relação ao quente (humano)e fria ( vampiro). Jacob com seu corpo sarado e a maior parte do tempo sem camisa, arranca suspiros da pláteia, e do outro lado, um rapaz muito branco, mas com todo charme de um lorde e com ídeias um tanto quanto ultrapassadas, mas que não deixa de ser bonitas e até ansiadas pelo público feminino.


Além desse suposto triângulo amoroso que se forma, o filme também mostra como é a transformação dos vampiros récem-criados e as situações com as quais eles têm que viver no ínicio dessa jornada, claro uma "deixa "para se pensar na situação de Bella, que tanto anseia em se tornar vampira.

Acredito que essa adaptação do livro seja uma das mais interessantes das duas últimas, o diretor David Slade soube retratar de uma maneira peculiar a diferença de um cavalheiro e uma mulher moderna sem deixar cair no rídiculo. Pois Edward devido a sua situação de vampiro ,no qual não lhe permite envelhecer ,mas que ao mesmo tempo carrega sua identidade de antigamente e acha que sexo só depois do casamento, e Bella, desacreditada na instituição casamento.

Com certeza vale a pena a ida ao cinema, para sair da sala com a sensação de que a adolescência é época de errar, como é lembrado na formatura.Mas até que ponto um erro é válido para definir sua vida para sempre?

Ficha Técnica:
The Twilight Saga: Eclipse ( EUA- 2010)
Diretor: David Slade
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner
Roteiro: Melissa Rosenberg
Gênero: Romance
Filme : bom

O coração tem razões que a própria razão desconhece!

Woody Allen após seus quatro últimos filmes terem sido produzidos na Europa volta com toda força para sua cidade, Nova York,um retorno renovado, com direito a ônibus turistíco e Estátua da Liberdade. Na direção de " Tudo pode dar certo- Whatever Works", seu quadrágesimo filme, Allen  traz seu humor sarcástico mais afiado que nunca, cheio de um diálogo ácido,muitos clichês ( e ele próprio faz piadas disso), discussões existenciais, improváveis casais e trios que só sendo um puritano para não amar.

O começo do filme já é um tanto quanto peculiar pois traz a figura de Boris Yellnikoff ( Larry Davis) conversando com seus amigos do bar e logo ele segue adiante e quebra a quarta parede para conversar com o público. Boris é um mau-humorado físico, quase indicado ao prêmio Nobel, que atualmente dá aulas de xadrez mas costuma brigar com seus alunos. Suicida fracassado,não odeia a vida, apenas acredita que somos uma espécie em extinção burra demais para ser feliz, pois considera ser único capaz de compreender a insignificância das aspirações humanas e o caos do universo.

Seu chamado para aventura começa quando uma garota em frente ao seu apartamento pede por comida, e ele a muito custo acaba por convida-lá a entrar, Melodie St. Anne Celestine ( Evan Rachel Wood) é uma menina do sul dos EUA, completamente frágil e inocente que se instala em seu apartamento e com o passar do tempo não aparenta ter planos de deixar o local. Os dois começam a criar uma amizade, tendo Boris para lembra-lá sempre que ele é um gênio e ela simplesmente uma ignorante. O laço afetivo se torna tão grande que ela se declara para ele, e este apenas diz que não, pois nem de sexo gosta. Claro que por algumas circunstâncias irracionais do coração, Boris acaba pedindo Melodie em casamento. Tudo parece estar indo de acordo com as leis do universo quando inesperadamente aparecem separadamente a mãe e o pai de Melodie.

Isso coloca em movimento uma ciranda de personagens que descobrem, por si próprios, que na vida devemos aceitar qualquer coisa que dê certo para nos fazer felizes.Boris (o racional) e Melodie ( emocional) aceitam um ao outro, os pais dela acabam por ser transformados por Nova York e abertos para novas experiências.
 
Para finalizar fica o épilogo do filme:
" Whatever love you can get and give
Whatever happiness you can provide
Every temporary measure of grace
Whatever works"


Ficha Técnica:
Tudo pode dar certo " Whatever works" ( 2009- França- EUA)
Direção: Woody Allen
Elenco: Larry Davis, Eva Rachel Wood, Patricia Clarkson,
Roteiro: Woody Allen
Filme: ótimo